À Tua Ausência
A distância ingrata que nos separa é, para mim, um suplício que corrói lentamente os alicerces da alma. Os dias arrastam-se em uma lentidão insuportável, e as noites – oh, as noites… – são assombrosas, pesadas como pedras sobre o peito. No meu quarto silencioso, onde apenas o tique-taque do relógio testemunha minha solidão, volto o olhar para a lua através da janela e imagino – com a ternura dos que amam demais – que, talvez, neste exato instante, teus olhos também se percam na mesma luz suave e prateada. Imagino que a brisa noturna te acaricie a pele como antes faziam meus dedos. Que o luar derrame sobre ti o mesmo afago que, em tua ausência, eu gostaria de te oferecer. E fecho os olhos – não por desejo de dormir, mas pela necessidade de te sonhar. É então que tua imagem me visita: viva, quente, próxima. Sinto tua respiração misturar-se à minha, teus murmúrios insinuarem-se no silêncio como uma música conhecida. Tua voz, que me falta, reaparece no espaço rarefeito da imaginação....