As Grades do Destino
Como um pássaro que, através das grades, contempla o sol sem poder tocá-lo, admira as árvores sem jamais pousar em seus galhos e sonha com ninhos que talvez nunca construa – assim é o meu amor por você: aprisionado, inquieto, faminto de liberdade. Meu coração, enjaulado pelas lembranças, bate com força contra as grades invisíveis do destino, enquanto minha alma se lança em voos que somente a imaginação consegue permitir. Nas manhãs cinzentas, imagino seu rosto. Seu perfume parece ainda pairar no ar imóvel do meu quarto. Sua voz ressurge, silenciosa, entre as paredes vazias da casa e, sobretudo, dentro do meu peito. Sua ausência tornou-se uma presença feroz. Habita meus pensamentos como um fantasma que se recusa a partir. Persegue-me nas madrugadas insones, nas promessas que não se cumpriram, nos beijos que ficaram apenas nos sonhos e nas palavras que morreram antes de serem pronunciadas. Eu te amo. E, no fundo, ainda acredito que você também me ama. Mas existe entre nós um abismo...