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As Grades do Destino

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  Como um pássaro que, através das grades, contempla o sol sem poder tocá-lo, admira as árvores sem jamais pousar em seus galhos e sonha com ninhos que talvez nunca construa – assim é o meu amor por você: aprisionado, inquieto, faminto de liberdade. Meu coração, enjaulado pelas lembranças, bate com força contra as grades invisíveis do destino, enquanto minha alma se lança em voos que somente a imaginação consegue permitir. Nas manhãs cinzentas, imagino seu rosto. Seu perfume parece ainda pairar no ar imóvel do meu quarto. Sua voz ressurge, silenciosa, entre as paredes vazias da casa e, sobretudo, dentro do meu peito. Sua ausência tornou-se uma presença feroz. Habita meus pensamentos como um fantasma que se recusa a partir. Persegue-me nas madrugadas insones, nas promessas que não se cumpriram, nos beijos que ficaram apenas nos sonhos e nas palavras que morreram antes de serem pronunciadas. Eu te amo. E, no fundo, ainda acredito que você também me ama. Mas existe entre nós um abismo...

Até o fim

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  Até o fim – com esta garganta rouca, esgarçada por silêncios que se acumulam como cinzas. Estes olhos líquidos, encharcados por noites inteiras de espera, ainda buscam um horizonte que nunca chegou a se formar. São olhos que viram promessas desmoronarem como castelos de areia; que assistiram ao lento apagar das luzes que um dia iluminaram seus passos. Até o fim – com estas mãos trêmulas, que já não conseguem segurar as frágeis promessas do passado, mas ainda tateiam memórias com a delicadeza de quem acaricia um pássaro ferido. Mãos que um dia ergueram sonhos, que teceram planos com fios de esperança e agora carregam apenas o peso das coisas que não foram. Até o fim – com estes pés exaustos, feridos de tanto caminhar em círculos, pisando sobre os mesmos erros, as mesmas pedras, os mesmos desertos. Pés que já cruzaram campos de batalha invisíveis, onde cada passo foi um ato de resistência contra a desistência. E com estes lábios, costurados ao silêncio da noite, que guardam palavra...

Hematomas na Alma

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  Forte por fora, mas carregando o peso de hematomas invisíveis por dentro – assim tem sido a minha jornada. Caminho com passos firmes, mas, por dentro, carrego cicatrizes profundas, silêncios pesados e dores que ninguém vê. São feridas que o tempo não curou; apenas cobriu com a poeira dos dias, como se esconder a marca fosse suficiente para apagar a dor. A cada amanhecer, carrego o fardo de angústias acumuladas, como pedras espalhadas por um caminho que insiste em não se endireitar. A sorte – essa entidade tão desejada e quase mística – jamais pareceu caminhar ao meu lado. Por inúmeras vezes, estendi a mão ao acaso, implorando por um sopro de alívio, mas ela sempre se esquivou, como uma sombra que desaparece ao menor sinal de luz. Houve noites em que o silêncio gritava dentro de mim, e a dor era tão densa que respirar parecia um castigo. Em alguns momentos, desejei não estar mais aqui – não por fraqueza, mas por exaustão. A morte, naqueles instantes, parecia uma promessa de descan...

À Tua Ausência

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  A distância ingrata que nos separa é, para mim, um suplício que corrói lentamente os alicerces da alma. Os dias arrastam-se em uma lentidão insuportável, e as noites – oh, as noites… – são assombrosas, pesadas como pedras sobre o peito. No meu quarto silencioso, onde apenas o tique-taque do relógio testemunha minha solidão, volto o olhar para a lua através da janela e imagino – com a ternura dos que amam demais – que, talvez, neste exato instante, teus olhos também se percam na mesma luz suave e prateada. Imagino que a brisa noturna te acaricie a pele como antes faziam meus dedos. Que o luar derrame sobre ti o mesmo afago que, em tua ausência, eu gostaria de te oferecer. E fecho os olhos – não por desejo de dormir, mas pela necessidade de te sonhar. É então que tua imagem me visita: viva, quente, próxima. Sinto tua respiração misturar-se à minha, teus murmúrios insinuarem-se no silêncio como uma música conhecida. Tua voz, que me falta, reaparece no espaço rarefeito da imaginação....

Tempestade de Amor

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  Meu coração não aprendeu a amar em pílulas de afeto, nem a se satisfazer com sussurros frouxos. Ou me entrego inteiro, com a alma em chamas, ou recolho o fogo para dentro de mim e o guardo para sonhos que realmente mereçam arder. Não sei sentir em pequenas gotas, como quem toca a superfície da água e recua antes de se molhar. Quero a tempestade – o dilúvio que invade cada fresta, que transborda pelas janelas da alma, ainda que seja apenas uma miragem dançando por uma noite antes de se dissipar na claridade pálida da manhã. Se não for assim, que não seja. Prefiro a solidão ao amor que não inflama. Não me atraem romances frágeis, paixões escondidas atrás de silêncios ou corações que se saciam com migalhas. Não quero restos de sentimentos nem presenças pela metade. Não sei ser morno, muito menos brincar de afetos que não aceleram o pulso. Quero um amor que transborde, que chegue como vendaval, me roube o fôlego e devolva a vida quando eu encontrar, nos olhos da outra pessoa, o refle...