Onde as palavras não conseguem chegar
Há sentimentos que parecem nascer grandes demais para caber nas palavras. Por mais que a linguagem tente alcançá-los, suas sílabas são frágeis diante daquilo que o coração experimenta.
E é assim que me sinto quando
penso em você: como alguém que possui dentro de si um universo inteiro, mas não
encontra palavras suficientes para descrevê-lo.
Como explicar o que acontece
comigo quando estou ao seu lado? Como traduzir a felicidade que me atravessa
quando encontro seus olhos, quando ouço sua voz ou simplesmente percebo a sua
presença?
Há momentos em que sinto que
nenhuma palavra foi inventada para dizer exatamente o que você desperta em mim.
Cada instante contigo é como um raio de luz atravessando as sombras. Uma
claridade inesperada que alcança lugares da minha alma que, talvez, eu nem
soubesse que ainda existiam.
E quando meus lábios encontram
os seus, o mundo parece perder suas dimensões. O tempo deixa de correr, o
passado silencia, o futuro desaparece. Existe apenas aquele instante — breve
para o relógio, mas infinito para o coração.
Sua imagem não está apenas
guardada em minha memória. Ela se tornou parte de mim. Seu sorriso, o brilho
dos seus olhos, seus gestos, a maneira como você me olha… Tudo permanece em
algum lugar profundo do meu ser, como uma pintura que o tempo não consegue
apagar.
Sua presença é como uma
melodia que permanece mesmo depois que a música termina. Algumas pessoas passam
pela nossa vida; outras deixam uma espécie de eternidade em nós. Você
pertence a essa segunda categoria.
Ainda me lembro daqueles
momentos em que parecíamos existir fora do mundo. Como naquela tarde dourada em
que caminhávamos de mãos dadas, enquanto o céu se tingia de laranja e o vento
brincava com seus cabelos. Parecia que a própria natureza havia parado por
alguns instantes para contemplar aquele encontro.
E lembro também daquela noite
sob o céu estrelado, quando dividimos segredos, risos e silêncios. É curioso
como certos momentos, aparentemente simples, tornam-se preciosos com o passar
dos anos. Talvez porque o tempo tenha o estranho poder de revelar o verdadeiro
valor daquilo que vivemos.
Guardo cada uma dessas
lembranças com uma espécie de reverência. Não como quem olha para o passado com
tristeza, mas como quem reconhece ter recebido da vida algo raro.
Você é a poesia que eu jamais
saberia escrever por inteiro. É a frase que sempre parece faltar no final de
uma carta. É a lembrança que surge inesperadamente e muda o rumo de um
pensamento. É a chama que aquece minhas noites e a presença que, mesmo
distante, continua fazendo companhia aos meus silêncios.
E talvez seja justamente isso
o amor: descobrir que algumas pessoas passam a morar em nós de uma maneira que
nenhuma distância consegue desfazer. Por isso, mesmo sabendo que minhas
palavras jamais serão suficientes, continuo tentando. Talvez porque amar também
seja isso: tentar dizer o indizível.
Então, se um dia minhas
palavras parecerem pequenas diante do que sinto, não pense que meu amor
diminuiu. É justamente o contrário. É que existem sentimentos tão profundos que
a linguagem, por mais bela que seja, chega apenas à margem deles.
E eu ainda quero viver muitos
outros dias ao seu lado. Quero colecionar novos instantes, novos olhares, novos
abraços, novos beijos e novas lembranças. Quero continuar descobrindo você,
mesmo sabendo que jamais conseguirei conhecer completamente o mistério de
alguém que amo.
Porque, no fim, talvez eu nunca encontre as palavras certas. Mas existe uma frase simples que permanece quando todas as outras desaparecem: “Eu te amo. Com todo o meu coração”.

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