Epitáfio
Epitáfio: um romance sobre silêncio, perdas e sobrevivência emocional.
Dedicatória
Dedico este livro a todos aqueles que um dia confiaram demais. Aos que entregaram o coração sem reservas e descobriram tarde demais que algumas pessoas sabem sorrir enquanto escondem punhais.
Aos que
perderam noites tentando compreender ausências, traições, abandonos e
despedidas que nunca tiveram explicação.
E também aos
que sobreviveram. Porque sobreviver, muitas vezes, é o ato mais silencioso e
corajoso que um ser humano pode realizar.
Prefácio
Existem dores que não fazem
barulho. Não deixam sangue no chão, não quebram ossos, não aparecem em exames
médicos. Ainda assim, conseguem destruir uma pessoa por dentro lentamente, como
ferrugem corroendo metal em silêncio.
As maiores tragédias
humanas quase nunca acontecem diante de multidões. Elas acontecem em quartos escuros, em madrugadas
insones, atrás de olhares cansados que continuam sorrindo por obrigação.
Este livro não fala apenas
sobre morte. Fala sobre tudo aquilo que perece antes dela.
Fala sobre a confiança que
desaparece após
uma traição. Sobre o amor que apodrece quando descobre a mentira. Sobre
amizades que se desfazem diante da conveniência. Sobre pessoas que se perdem
tentando permanecer inteiras em um mundo que exige máscaras o tempo inteiro.
“Epitáfio” não é apenas a história de um
homem. É o retrato emocional de uma geração cansada de fingir força enquanto
sangra por dentro.
Ao longo destas páginas, o
leitor encontrará memórias, dores, reflexões e silêncios. Encontrará
personagens quebrados tentando sobreviver em meio à própria ruína emocional.
Talvez,
em algum momento, encontre também partes de si mesmo. Porque todos carregamos pequenos cemitérios na alma.
Introdução
Aqui jaz quem nasceu,
lutou, confiou demais – e morreu. Agora, finalmente, existe de outro modo.
Vive, se é que ainda se
pode chamar assim, na única paz que realmente importa: a paz sem retorno. Sem
saudades que rasgam o peito, sem lembranças que sangram durante a noite, sem
traições que ecoam como facadas dadas no escuro por mãos conhecidas.
As promessas quebradas, os
olhares fingidos, os sorrisos que escondiam cálculo, as costas viradas no
instante mais frágil – tudo isso ficou entre os vivos.
Aqui embaixo, as traições
não chegam. Elas se desfazem no silêncio. Viraram pó antigo, esquecido, que nem
o vento se preocupa em carregar.
Nada faz falta. Não existe
saudade da lealdade incompleta, nem do amor que se revelou veneno disfarçado de
cura.
Não há necessidade de
explicações tardias, dessas que chegam quando já não podem consertar nada.
Nem vingança. A vingança é
apenas uma prisão vestida de justiça.
O maior alívio é perceber
que a dor deixou de existir no instante em que deixou de ser alimentada pela
memória.
Lá fora, o mundo continua.
Os vivos ainda correm
desesperados atrás de promessas frágeis. Ainda juram eternidades que morrem em
semanas. Ainda trocam sentimentos verdadeiros por migalhas de atenção.
E repetem. Erram. Traem.
Voltam. Machucam. Pedem desculpas tarde demais.
Eu já encerrei o meu ciclo.
Não participo. Não espero. Não sinto o aperto no peito nem acordo assustado
durante a madrugada. Estou no sono sem sonhos. Sem pesadelos. Sem sobressaltos.
Apenas silêncio. E, pela primeira vez, paz.
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